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Mostrando postagens com o rótulo Kerlley Diane Santos

Passagem

Silêncio... silêncio Dos sonhos antigos, Das manhãs distantes Pássaros voaram Cortaram horizontes E se passaram as cores da madrugada E romperam-se as bordas da noite E os pássaros não mais voltaram... Secaram-se os sonhos antigos. Kerlley Diane Santos

Cinzas

Subindo vão do pueril espaço As cinzas vagas da levada chama Vão voando dispersas no ar embaçado Alçando o mar das leves esperanças Visando a sombra da triste espuma São levadas, arrastadas por Zéfiro Impulsionadas pela sóbria luz Definham adormecendo no vagar momentâneo Até encontrar frio repouso No beijo longo e tépido da cruz. Kerlley Diane Santos

Abismos

Esta é a letra final De minha última hora mórbida E de meu último bocejo fraco Às vezes longe de mim mesmo Às vezes perto de mais do acaso Andando por aí a passos vagos Quem sou eu? De maneira não ou sim do sou O ar, o som, o silêncio, a árvore Vapor amargo de fel antigo Longe de mim mesmo, Mas não do abismo Perto do longe... Ainda vivo? Em portos distantes depositei esperanças tolas Com tolas horas sobrecarreguei-me de saudades E estas velhas e hipócritas lembranças Esta morfina... Esta tonelada de infâmia Partiu-me... Partiu-me... Brilhará a lua quando a noite chegar ao cais Os distantes e sombrios sonhos voaram pra longe Já não sinto mais dor... Já não dói mais... Chega de tristeza... Chorar não irei... Jamais... Kerlley Diane Santos

Nostalgia

Hoje eu acordei com “Os Maias” na cabeça. Já faz um tempo que o li e veio uma vontade de visitar a antiga família da Beira. Os Maias foi o terceiro livro de Eça que eu li na vida. Depois de Primo Basílio e o Crime do Padre Amaro. Na época, eu fiquei tão impressionada com o livro que eu sabia citar parte dos livros. Aquele foi um tempo tão bom da minha vida. Eu lia até dormir em cima dos livros, dormia na varanda desenhando as estrelas. Eu queria saber sempre mais e mais e eu era imensamente feliz por isso. E hoje estou eu aqui, tão triste.  “A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no outono de 1875, era conhecida na vizinhança da rua de São Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela casa do Ramalhete ou simplesmente o Ramalhete. Apesar deste fresco nome de vivenda campestre, o Ramalhete, sombrio casarão de paredes severas, com um renque de estreitas varandas de ferro no primeiro andar, e por cima uma tímida fila de janelinhas abrigadas à beira do t...

Leito

Seu corpo sentia a morena maciez das folhas secas estendidas como um tapete do quintal até a velha casa. Os ouvidos se demoravam como quem procura um riso, em meio à imensidão amarelada dos espaços vazios. Ficava assim como olhos fixos no céu do próprio peito, com as mãos atentas para sentir a tarde.... Kerlley Diane Santos

Transversal do Tempo

                                                      Transversal do Tempo (João Bosco/Aldir Blanc) As coisas que eu sei de mim São pivetes da cidade Pedem, insistem e eu Me sinto pouco à vontade Fechada dentro de um táxi Numa transversal do tempo Acho que o amor É a ausência de engarrafamento As coisas que eu sei de mim Tentam vencer a distância E é como se aguardassem feridas Numa ambulância As pobres coisas que eu sei Podem morrer, mas espero Como se houvesse um sinal Sem sair do amarelo

Notícias

Entre mim e os mortos há o mar e os telegramas. Há anos que nenhum navio parte  nem chega. Mas sempre os telegramas frios, duros, e sem conforto. Na praia, e sem poder sair. Volto, os telegramas vêm comigo. Não se calam, a casa é pequena para um homem e tantas notícias. Vejo-te no escuro, cidade enigmática. Chamas com urgência, estou paralisado. De ti para mim, apelos, de mim para ti, silêncio. Mas no escuro nos visitamos. Escuto vocês todos, irmãos sombrios. No pão, no couro, na superfície macia das coisas sem raiva, sinto vozes amigas, recados furtivos, mensagens em código. Os telegramas vieram no vento. Quanto sertão, quanta renúncia atravessaram! Todo homem sozinho devia fazer uma canoa e remar para onde os telegramas estão chamando. Carlos Drummond de Andrade

E se eu fosse um pintor?

Sabe há uns meses atrás um amigo meu morreu e eu fiquei muito triste com a sua morte. Hoje eu sonhei com ele...  O dia seguiu em pura nostalgia. Fica, então, a música  Painter Song,  da Norah Jones. Diz muito sobre o que eu senti hoje, sobre o que eu, ainda, estou sentindo agora.... Ah! Respondendo. Se eu fosse um pintor eu pintaria sonhos... Vou dormir... And I'm dreaming of a place  where I could see your face and I think my brush would take me there...

Há 109 anos nascia Carlos Drummond de Andrade

Já publiquei aqui o meu poema favorito de Drummond:   A Luís Maurício, Infante . Postei, também, outros dos quais muito gosto. Como indica o título, há 109 anos nascia o grande poeta Carlos Drummond de Andrade. Hoje desejava fazer um post mais elaborado em homenagem ao notável Drummond, entretanto, como estou trabalhando em minha monografia só vai ser possível postar um poema retirado do livro  A Rosa do Povo. Por sinal, um livro muito querido por mim... Vou dedicar este post também post ao meu já falecido amigo Álvaro Carneiro Bastos com quem tantas vezes falei de Drummond e dos "veludos nos ursos". Equívoco Na noite sem lua perdi o chapéu.  O chapéu era branco e dele passarinhos  saiam para a glória, transportando-me ao céu.  A neblina gelou-me até os nervos e as tias.  Fiquei na praça oval aguardando a galera  com fiscais que me perdoassem e me abrissem os rios.  Um jardim sempre meu, de funcho e de coral...

Por um céu estrelado…

Eis minhas mãos: não tenho porque esconde-las, ainda que, por teimosia, tragam verrugas nos dedos por apontar estrelas. Este é o nosso ofício: cavalgar verdades cadentes, eternos/caducos presentes que comem a si mesmos mastigando seus próprios dentes. Assim são estrelas: tempo que tece a própria teia que o atrela, cavalo que cavalga a própria sela. Distanciamento Objeto Estranhamento Espera como pintor ensandecido que reprova a própria tela. Este é o nosso ofício, este é o nosso vício. Cego enlouquecido, visão por trevas tomada insiste em apontar estrelas mesmo em noites nubladas. Ainda que seja por nada insisto em aponta-las mesmo sem vê-las com a certeza que mesmo nas trevas escondem-se estrelas. Enganam-se os que crêem que as estrelas nascem prontas. São antes explosão brilho e ardência imprecisas e virulentas herdeiras do caos furacão na alma calma na aparência. Enganadoras aparências… Extintas, brilham ainda: Mortas no universo r...

Joseph...

Hoje ouvi  Joseph , uma música de George s Moustaki . Eu era criança quando ouvi essa música pela primeira vez... Já faz um pouquinho de tempo... Gosto dessa música... Ela desperta recordações bonitas da minha infância, da poeira, do sol, das corridas no quintal da casa de minha família, dos livros que eu lia no sombreado das árvores, das alvoradas festivas, das músicas antigas que eu ouvia todos os dias e dos domingos em que eu despertava cedinho para ir assistir a missa na velha igreja de Sant' Ana...  Saudade... 

Na semana que termina...

Não consegui chá, nem biscoitos... No entanto, não reclamo... O mundo não é feito só de chá e biscoito... Inclusive, agradeço... Pela xícara de café, com pão e pizza... Pelas sete lindas e quentes tardes ensolaradas e seus sóis magníficos... Pelos amigos que reencontrei... Já o livro... Este veio e está perto de mim.... Durmo com os livros que leio... Ele é minha companhia nessa semana que finda... Obrigada... Pensando bem... Não faltou nada...

Tanto Amar

Tanto Amar  (Chico Buarque) Amo tanto e de tanto amar Acho que ela é bonita Tem um olho sempre a boiar E outro que agita Tem um olho que não está Meus olhares evita E outro olho a me arregalar Sua pepita A metade do seu olhar Está chamando pra luta, aflita E metade quer madrugar Na bodeguita Se os seus olhos eu for cantar Um seu olho me atura E outro olho vai desmanchar Toda a pintura Ela pode rodopiar E mudar de figura A paloma do seu mirar Virar miúra É na soma do seu olhar Que eu vou me conhecer inteiro Se nasci pra enfrentar o mar Ou faroleiro Amo tanto e de tanto amar Acho que ela acredita Tem um olho a pestanejar E outro me fita Suas pernas vão me enroscar Num balé esquisito Seus dois olhos vão se encontrar No infinito Amo tanto e de tanto amar Em Manágua temos um chico Já pensamos em nos casar Em Porto Rico

Na semana que inicia...

Quero uma tarde amarelada,  uma xícara de chá quentinha,  biscoitinhos... livro... companhia! 

Álvaro...

Lembro hoje com saudade do março passado no qual conheci você... do primeiro recado... do primeiro poema... Sempre tive a impressão que eu te conhecia da vida inteira. Algo encantado. Talvez fossem os muitos gostos e preferências que tínhamos em comum... Hoje li todos os poemas que você me enviou, tenho todos eles guardados. Lembrei-me de todas as risadas, das frases, dos versos. Recordei de Luis Mauricio, Infante e da noite em que debulhamos os versos desse nosso poema favorito... Lembrei que como eu, você gostava de Proust, Van Gogh, James Joyce e do biscoito Bono... As boas lembranças, realmente, são esconderijos confortáveis e sei exatamente onde poderei te encontrar quando a saudade apertar... E olha saudade machuca... Tua alma, entretanto, habita tantas coisas que não irei precisar procurar muito... Até os sinos suscitam tua lembrança... Jamais pensei que você um dia seria uma das minhas “notas tristes”... Afinal, você sempre foi tão alegria alegria , tantas...

Trocado poeminha incerto

Eu pego um barco, uma onda ou em desses ventos E saio por aí... Dou voltas, piruetas e me transporto p ara um lugar de infinitas cores Entre o céu, o rio e as multi formas da areia. Ou então, deitado entre folhagens velhas desenho no ar o retrato de idéias secas. Que silentes pairam sobre mim Mas não seriam as folhas secas e as idéias velhas? Talvez um dia você me responda... Antes que as luzes se fechem... E o tempo venha apagar as portas... Kerlley Diane Santos

Bach...

Sempre gostei muito de Bach. Suas composições tem o poder de fazer aflorar em mim as boas recordações, os bons livros, as pessoas queridas. Sempre que estou muito feliz ou muito triste ouço Bach. Faz-me lembrar do que sou e do que realmente importa na vida... E muito coisa importa na vida... O fato de ter ouvido Bach o final de semana inteiro e o resto da tarde e noite da segunda revela um pouco do meu atual estado de espírito... Saudade, tristeza, alegria... Tudo junto e dando voltas no meu ser... Espero ouvir Bach por muito tempo ainda...

Uma Nota Triste...

Já disse que domingo não foi um dia fácil. Os grandes estão nos deixando. A manhã chuvosa do último domingo anunciou outra perda inestimável a do nosso querido Benedito Nunes. Reconhecido internacionalmente, Benedito Nunes morreu aos 81 anos de idade deixando o legado de uma vida dedicada inteiramente a filosofia, a literatura e aos livros. Certamente, não existem palavras para descrever a contribuição de Benedito para a cultura nacional. O mundo literário e acadêmico se comprimiu um pouquinho mais com a perda deste nosso grande conterrâneo e apaixonado por está terra paraense. Obrigada Grande Mestre Benedito Nunes... Obrigada... E, com tristeza, adeus... Belém, 21.11.1929 Belém, 27.02.2011

Uma Nota Triste...

"Acredito, sim, em inspiração, não como uma coisa que vem de fora, que "baixa" no escritor, mas simplesmente como o resultado de uma peculiar introspecção que permite ao escritor acessar histórias que já se encontram em embrião no seu próprio inconsciente e que costumam aparecer sob outras formas — o sonho, por exemplo. Mas só inspiração não é suficiente"   Moacir Scliar Esses últimos tempos não tem sido fáceis. Apenas agora sento para redigir essas pequenas palavras sobre esta triste onda que se abateu sobre mim ontem. Escrevo-as ao som de Bach... Moacir Jaime Scliar partiu na madrugada de ontem... Eu tinha 14 anos quando pela primeira vez li um conto de Scliar. Naquela época, auge da minha devoração de obras, eu lia livros e mais livros e se não me lembrassem que eu devia comer eu não comia e um detalhe importante: eu só ouvia música erudita e de preferência Sebastian Bach. Bons tempos aquele... Gostei dos contos de Scliar e de sua obra ...

A Sombra do Vento...

“Poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre o caminho até ao seu coração. (Carlos Ruiz Záfon)” “Cada livro, cada volume que você lê tem alma. A alma de quem o escreveu, e a alma dos que o leram, que viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro troca de mãos, cada vez que alguém passa os olhos pelas suas páginas, seu espírito cresce e a pessoa se fortalece. (Carlos Ruiz Záfon)" Poucos foram os livros que abriram o caminho até o meu coração e conquistaram um pedaço de minha alma. Livros que me fizeram sonhar acordada, porque enquanto tenho suas páginas em meus dedos não consigo fechar os olhos. Livros que me fizeram perceber que sou interminável nas coisas que leio, escrevo e sinto. Livros que me apresentaram personagens dos quais sinto saudade e que me possibilitaram conhecer um mundo que definha e explode entre multicores e sombras. Livros que devassaram meu ser e pelos quais desenvolvi um afeto tão grande que sempre me v...