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Há 109 anos nascia Carlos Drummond de Andrade




Já publiquei aqui o meu poema favorito de Drummond: A Luís Maurício, Infante. Postei, também, outros dos quais muito gosto. Como indica o título, há 109 anos nascia o grande poeta Carlos Drummond de Andrade.

Hoje desejava fazer um post mais elaborado em homenagem ao notável Drummond, entretanto, como estou trabalhando em minha monografia só vai ser possível postar um poema retirado do livro A Rosa do Povo. Por sinal, um livro muito querido por mim...


Vou dedicar este post também post ao meu já falecido amigo Álvaro Carneiro Bastos com quem tantas vezes falei de Drummond e dos "veludos nos ursos".


Equívoco

Na noite sem lua perdi o chapéu. 
O chapéu era branco e dele passarinhos 
saiam para a glória, transportando-me ao céu. 

A neblina gelou-me até os nervos e as tias. 
Fiquei na praça oval aguardando a galera 
com fiscais que me perdoassem e me abrissem os rios. 

Um jardim sempre meu, de funcho e de coral, 
ergueu-se pouco a pouco, e eram flores de velho, 
murchando sem abrir, indecisas no mal. 

Ressurgi para a escola, e de novo adquiri 
a ciência de deslizar, tao própria de meus netos: 
Sou apenas um peixe, mas que fuma e que ri, 
e que ri e detesta.  

- Carlos Drummond de Andrade -

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