E agora, Amarildo? o Papa voltou, a noite chegou, o gigante dormiu, você sumiu, onde está, Amarildo? onde está, você? Você que é pedreiro sem paradeiro, você que faz casas que ama, pesca? Onde está, Amarildo? Está sem documentos está sem direitos está sem voz já não pode trabalhar, já não pode pescar, amar já não pode, a noite passou, o dia não veio, você não veio, o riso não veio, não veio a verdade, Cabral não ouviu a mídia se calou a PM não viu cadê, Amarildo? Cadê Amarildo? sua força de Boi, seu tijolo de bronze, seu barraco pequeno, sua grande família, seu pouco salário, sua pele proibida, seu bom coração, sua justiça — cadê? Com a vara na mão quer abrir o mar, mas não existe mar; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Rocinha, Rocinha não há mais. Amarildo, e agora? Se você gritasse, se você gemesse, se você cantasse o samba portelense, se você corresse, se você fugisse, se você morresse... Mas você não morre...