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Mostrando postagens com o rótulo Chico Buarque

Vence na vida quem diz sim...

    Vence na vida quem diz sim (Chico Buarque/ Ruy Guerra) Vence na vida quem diz sim Vence na vida quem diz sim Se te dói o corpo Diz que sim Torcem mais um pouco Diz que sim Se te dão um soco Diz que sim Se te deixam louco Diz que sim Se te babam no cangote Mordem o decote Se te alisam com o chicote Olha bem pra mim Vence na vida quem diz sim Vence na vida quem diz sim Se te jogam lama Diz que sim Pra que tanto drama Diz que sim Te deitam na cama Diz que sim Se te criam fama Diz que sim Se te chamam vagabunda Montam na cacunda Se te largam moribunda Olha bem pra mim Vence na vida quem diz sim Vence na vida quem diz sim Se te cobrem de ouro Diz que sim Se te mandam embora Diz que sim Se te puxam o saco Diz que sim Se te xingam a raça Diz que sim Se te incham a barriga De feto e lombriga Nem por isso compra a briga Olha bem pra mim Vence na vida quem diz sim Vence na vida quem diz sim Durante a dita...

A saudade é o revés de um parto...

Pedaço de Mim (Chico Buarque) Oh, pedaço de mim Oh, metade afastada de mim Leva o teu olhar Que a saudade é o pior tormento É pior do que o esquecimento É pior do que se entrevar Oh, pedaço de mim Oh, metade exilada de mim Leva os teus sinais Que a saudade dói como um barco Que aos poucos descreve um arco E evita atracar no cais Oh, pedaço de mim Oh, metade arrancada de mim Leva o vulto teu Que a saudade é o revés de um parto A saudade é arrumar o quarto Do filho que já morreu Oh, pedaço de mim Oh, metade amputada de mim Leva o que há de ti Que a saudade dói latejada É assim como uma fisgada No membro que já perdi Oh, pedaço de mim Oh, metade adorada de mim Leva os olhos meus Que a saudade é o pior castigo E eu não quero levar comigo A mortalha do amor Adeus Quantas vezes eu chorei ouvindo Pedaço de Mim.

Até!

  Até Segunda-Feira  (Chico Buarque) Sei que a noite inteira eu vou cantar Até segunda feira Quando volto a trabalhar, morena Sei que não preciso me inquietar Até segundo aviso Você prometeu me amar Por isso eu conto a quem encontro pela rua Que meu samba é seu amigo Que a minha casa é sua Que meu peito é seu abrigo Meu trabalho, seu sossego Seu abraço, meu emprego Quando chego No meu lar, morena.

Acorda, Acorda, Acorda...

Joana Francesa (Chico Buarque) Tu ris, tu mens trop Tu pleures, tu meurs trop Tu as le tropique Dans le sang et sur la peau Geme de loucura e de torpor Já é madrugada Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda Mata-me de rir Fala-me de amor Songes et mensonges Sei de longe e sei de cor Geme de prazer e de pavor Já é madrugada Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda Vem molhar meu colo Vou te consolar Vem, mulato mole Dançar dans mes bras Vem, moleque me dizer Onde é que está Ton soleil, ta braise Quem me enfeitiçou O mar, marée, bateau Tu as le parfum De la cachaça e de suor Geme de preguiça e de calor Já é madrugada Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda

Dueto...

O vídeo é encantador e eu amo a música.  Dueto (Chico Buarque) Ela:    Consta nos astros    Nos signos    Nos búzios    Eu li num anúncio    Eu vi no espelho    Tá lá no evangelho    Garantem os orixás    Serás o meu amor    Serás a minha paz Ele:    Consta nos autos    Nas bulas    Nos dogmas    Eu fiz uma tese    Eu li num tratado    Está computado    Nos dados oficiais    Serás o meu amor    Serás a minha paz Ela:    Mas se a ciência provar o contrário Ele:    E se o calendário nos contrariar Os dois:   Mas se o destino insistir   Em nos separar   Danem-se Ela:   Os astros Ele:   Os autos Ela:   Os signos Ele:   Os dogmas Ela:  ...

Se acaso me quiseres...

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Quando ela Canta...

Hoje acordei com saudade de Nara Leão... Comecei o dia ouvindo Nara... Termino o dia ao som de Nara... Um voo alto... Bem alto...  Sua voz quando ela canta me lembra um pássaro mas não um pássaro cantando: lembra um pássaro voando (Ferreira Gullar) Nara é pássaro, sabia? E nem adianta prisão para a voz que, pelos ares, espalha sua canção. (Carlos Drummond de Andrade)

Choro Bandido...

“...Saiba que os poetas como os cegos podem ver na escuridão...” Choro Bandido (Chico Buarque e Edu Lobo) Mesmo que os cantores sejam falsos como eu Serão bonitas, não importa São bonitas as canções Mesmo miseráveis os poetas Os seus versos serão bons Mesmo porque as notas eram surdas Quando um deus sonso e ladrão Fez das tripas a primeira lira Que animou todos os sons E daí nasceram as baladas E os arroubos de bandidos como eu Cantando assim: Você nasceu para mim Você nasceu para mim Mesmo que você feche os ouvidos E as janelas do vestido Minha musa vai cair em tentação Mesmo porque estou falando grego Com sua imaginação Mesmo que você fuja de mim Por labirintos e alçapões Saiba que os poetas como os cegos Podem ver na escuridão E eis que, menos sábios do que antes Os seus lábios ofegantes Hão de se entregar assim: Me leve até o fim Me leve até o fim Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso São bonitas, não importa São bonita...

Tanto Amar

Tanto Amar  (Chico Buarque) Amo tanto e de tanto amar Acho que ela é bonita Tem um olho sempre a boiar E outro que agita Tem um olho que não está Meus olhares evita E outro olho a me arregalar Sua pepita A metade do seu olhar Está chamando pra luta, aflita E metade quer madrugar Na bodeguita Se os seus olhos eu for cantar Um seu olho me atura E outro olho vai desmanchar Toda a pintura Ela pode rodopiar E mudar de figura A paloma do seu mirar Virar miúra É na soma do seu olhar Que eu vou me conhecer inteiro Se nasci pra enfrentar o mar Ou faroleiro Amo tanto e de tanto amar Acho que ela acredita Tem um olho a pestanejar E outro me fita Suas pernas vão me enroscar Num balé esquisito Seus dois olhos vão se encontrar No infinito Amo tanto e de tanto amar Em Manágua temos um chico Já pensamos em nos casar Em Porto Rico

Assentamento - Chico Buarque

Assentamento Quando eu morrer, que me enterrem na beira do chapadão -- contente com minha terra cansado de tanta guerra crescido de coração Tôo (apud Guimarães Rosa) Zanza daqui Zanza pra acolá Fim de feira, periferia afora A cidade não mora mais em mim Francisco, Serafim Vamos embora Ver o capim Ver o baobá Vamos ver a campina quando flora A piracema, rios contravim Binho, Bel, Bia, Quim Vamos embora Quando eu morrer Cansado de guerra Morro de bem Com a minha terra: Cana, caqui Inhame, abóbora Onde só vento se semeava outrora Amplidão, nação, sertão sem fim Ó Manuel, Miguilim Vamos Chico Buarque