Pular para o conteúdo principal

Feliz Dia de Alfredo





Há 41 anos, o menino de beira rio, dos meio dos campos de Cachoeira, banhista de igarapé, deixava o plano físico. Um dos maiores romancista da literatura nacional do século XX, laureado pela Academia e reconhecido por outros grandes nomes da literatura nacional, que foram seus amigos, conviveram e, até mesmo, duelaram por livros de atas com ele.⁣
Nascido em Ponta de Pedras, no Pará, em 10 de janeiro de 1909, criado em Cachoeira do Arari, no Marajó, do mesmo estado, Dalcídio teceu 10 romances conhecidos como o Ciclo do Extremo Norte. Os romances tratam da dura realidade do povo pobre paraense dos chalés e ribanceiras do Marajó e dos subúrbios de Belém, dando voz e protagonismo a "criaturada grande".⁣
Apesar da inovadora e brilhante obra, Dalcídio amargou em vida um ostracismo literário gigantesco. Brilhante, mas desconhecido da maioria das pessoas. Sempre falo, todo leitor de Dalcídio sofre um pouquinho com essa dura realidade da obra do autor.⁣
Eu mesmo, paraense que sou, só "conheci" Dalcídio por causa de Jorge Amado e Graciliano Ramos. E quantas vezes não perguntei, a mim mesma, ao abrir um livro de Dalcídio: isso é de uma qualidade tão grande, porque tão pouco reconhecido, Dalcídio?⁣
O mesmo sentimento profundo que me faz sempre lembrar do pio das corujas de Graciliano Ramos. O mesmo sentimento profundo que me faz lembrar da Bahia de Jorge Amado. É o mesmo, ainda que diferente, sentimento profundo que encontro fincado na bela narrativa poética de Dalcídio Jurandir.
Sigo a espera do dia, que muitos outros leitores, descobriram o encanto das linhas desse gigante de "escassa musculatura" da literatura nacional.⁣
Viva Dalcídio! Feliz Dia de Alfredo!



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

As cartas à destinatária inexistente

"O carteiro nunca saberá que a destinatária não existe; que foi sequestrada, torturada e assassinada pela ditadura militar. Assim como o ignorarão, antes dele, o separador das cartas e todos ao seu entorno. O nome no envelope selado e carimbado, como a atestar autenticidade, será o registro topográfico não de uma falha do computador, e sim de um mal de Alzheimer nacional. Sim, a permanência do seu nome no rol dos vivos será, paradoxalmente, produto do esquecimento coletivo do rol dos mortos." B, Kucinski. K. São Paulo: Expressão Popular, p. 17.

Encontro Marcado com Pablo Picasso

© Foto de Brassai. Jacques Lacan (1), Cecile Eluard (2), Pierre Reverdy (3), Louise Leiris (4), Pablo Picasso (5), Zanie Campan (6), Valentine Hugo (7), Simone de Beauvoir (8), Jean-Paul Sartre (9), Albert Camus (10), Michel Leiris (11), Jean Abier (12) e Brassai (13).   No dia 06 de junho de 1944, durante uma reunião para a primeira leitura da peça “O Desejo Pego Pelo Rabo” (“Désir attrapé par la queue”), escrita em 1941 por Picasso, estavam presentes várias personalidades do mundo da cultura. O célebre fotógrafo Gyula Halasz (Brassai) estava registrando o acontecimento. Entre as dezenas de fotos feitas por Brassai naquela noite, uma ficou para a história, aquela em que o fotógrafo húngaro ligou o automático e foi se juntar aos demais. Na foto aparecem Jacques Lacan, Cecile Eluard, Pierre Reverdy, Louise Leiris, Pablo Picasso, Zanie Campan, Valentine Hugo, Simone de Beauvoir, Jean-Paul Sartre, Albert Camus, Michel Leiris, Jean Abier e Brassai. Naquela noite, Brass...