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Mostrando postagens com o rótulo Livros

As cartas à destinatária inexistente

"O carteiro nunca saberá que a destinatária não existe; que foi sequestrada, torturada e assassinada pela ditadura militar. Assim como o ignorarão, antes dele, o separador das cartas e todos ao seu entorno. O nome no envelope selado e carimbado, como a atestar autenticidade, será o registro topográfico não de uma falha do computador, e sim de um mal de Alzheimer nacional. Sim, a permanência do seu nome no rol dos vivos será, paradoxalmente, produto do esquecimento coletivo do rol dos mortos." B, Kucinski. K. São Paulo: Expressão Popular, p. 17.

Na semana que inicia...

Quero uma tarde amarelada,  uma xícara de chá quentinha,  biscoitinhos... livro... companhia! 

Morte e Vida Severina ganha animação em 3D

Das paisagens áridas e secas do interior de Pernambuco sai o retirante Severino. Para escapar da morte lá “morrida antes dos trinta” e em busca de melhores condições de vida, o retirante segue rumo ao litoral.  Por Fabíola Perez Em sua romaria, Severino usa o rio Capibaribe como guia e, por todos os lugares em que passa, dá de cara com a morte e com a vida “severina” – aquela que para ele é “a vida mais vivida do que defendida”.    Produzida pela TV Escola, a versão animada do livro de João Cabral de Melo Neto,  Morte e Vida Severina – Um Auto de Natal Pernambucano,  se baseia também nos quadrinhos do cartunista Miguel Falcão. Preservando o texto original, a animação 3D dá vida e movimento aos personagens da história, publicada originalmente em 1956.  Ao chegar à primeira cidade do Agreste, Toritama, o retirante-lavrador pergunta ansioso por trabalho. A mulher da janela prontamente responde que trabalho é o que não falta ...

50 anos sem Hemingway: “Paris é uma festa”

Segue trecho do livro no qual o escritor Ernest Hemingway estava trabalhando semanas antes do suicídio. Revivia dias alegres da sua juventude na França. Publicado postumamente em 1964, o livro inspirou muitas gerações de jovens a se tornarem jornalistas. “Eu era muito tímido quando entrei na livraria pela primeira vez, não tendo dinheiro sequer para me inscrever na biblioteca de aluguel. Sylvia me disse que eu podia pagar o depósito quando tivesse dinheiro, preparou o meu cartão e encorajou-me a levar quantos livros quisesse. Não havia motivo para que ela confiasse em mim dessa maneira. Não me conhecia, e o endereço que lhe dei, rue Cardinal Lemoine, nº 74, não podia ser mais pobre. Mas ela foi cordial, encantadora e amabilíssima. Atrás dela, em toda a altura da parede e estendendo-se para a sala dos fundos, que dava para o pátio interior do edifício, havia estantes e mais estantes carregadas do tesouro da biblioteca. Comecei com Turgueniev e tomei os dois volumes de A Sportsman...

Benedito Nunes, Magno Sábio

por Amarílis Tupiassu É sempre difícil verbalizar a desmesura. A dificuldade aflorou ante a extensa produção de Benedito Nunes, ao escrever sobre um homem de mente viva, profusa, devotado, serenamente, ao saber, à inquirição do ser em sentido universal. Este foi seu ofício ininterrupto, desde que, ainda quase menino, terminou o então ginasial, entre 1941 e 1948, no Colégio Moderno em Belém. Benedito Nunes e as mais rígidas definições de sábio andam juntos, reiteram altas mentes do Brasil e de outros países, onde floresce sua obra do sábio paraense. Especifico a obra escrita, pois Benedito teve uma obra oral, suas aulas, conferências, debates, entremeados de intervenções momentâneas, espelho de argúcia intelectiva, infelizmente não gravada, a lição do sábio. Ele lega a quem não usufruiu de sua docência, sua escrita tersa, aguda, excelentemente bem urdida que testemunha o rigor, o viço intelectual, admirável saber, sua mente atilada, exemplar. Benedito foi acabado modelo de sabedori...

Uma Nota Triste...

Já disse que domingo não foi um dia fácil. Os grandes estão nos deixando. A manhã chuvosa do último domingo anunciou outra perda inestimável a do nosso querido Benedito Nunes. Reconhecido internacionalmente, Benedito Nunes morreu aos 81 anos de idade deixando o legado de uma vida dedicada inteiramente a filosofia, a literatura e aos livros. Certamente, não existem palavras para descrever a contribuição de Benedito para a cultura nacional. O mundo literário e acadêmico se comprimiu um pouquinho mais com a perda deste nosso grande conterrâneo e apaixonado por está terra paraense. Obrigada Grande Mestre Benedito Nunes... Obrigada... E, com tristeza, adeus... Belém, 21.11.1929 Belém, 27.02.2011

Uma Nota Triste...

"Acredito, sim, em inspiração, não como uma coisa que vem de fora, que "baixa" no escritor, mas simplesmente como o resultado de uma peculiar introspecção que permite ao escritor acessar histórias que já se encontram em embrião no seu próprio inconsciente e que costumam aparecer sob outras formas — o sonho, por exemplo. Mas só inspiração não é suficiente"   Moacir Scliar Esses últimos tempos não tem sido fáceis. Apenas agora sento para redigir essas pequenas palavras sobre esta triste onda que se abateu sobre mim ontem. Escrevo-as ao som de Bach... Moacir Jaime Scliar partiu na madrugada de ontem... Eu tinha 14 anos quando pela primeira vez li um conto de Scliar. Naquela época, auge da minha devoração de obras, eu lia livros e mais livros e se não me lembrassem que eu devia comer eu não comia e um detalhe importante: eu só ouvia música erudita e de preferência Sebastian Bach. Bons tempos aquele... Gostei dos contos de Scliar e de sua obra ...

A Sombra do Vento...

“Poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre o caminho até ao seu coração. (Carlos Ruiz Záfon)” “Cada livro, cada volume que você lê tem alma. A alma de quem o escreveu, e a alma dos que o leram, que viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro troca de mãos, cada vez que alguém passa os olhos pelas suas páginas, seu espírito cresce e a pessoa se fortalece. (Carlos Ruiz Záfon)" Poucos foram os livros que abriram o caminho até o meu coração e conquistaram um pedaço de minha alma. Livros que me fizeram sonhar acordada, porque enquanto tenho suas páginas em meus dedos não consigo fechar os olhos. Livros que me fizeram perceber que sou interminável nas coisas que leio, escrevo e sinto. Livros que me apresentaram personagens dos quais sinto saudade e que me possibilitaram conhecer um mundo que definha e explode entre multicores e sombras. Livros que devassaram meu ser e pelos quais desenvolvi um afeto tão grande que sempre me v...